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Leituras para iniciantes

 

Yoga: Uma aproximação

Escrever sobre o Yoga é como dissertar a respeito de uma noite estrelada. Com o olhar fixo na imensidão celeste podemos pensar matematicamente sobre a enorme distância que nos separa daquelas diminutas luzes cintilantes, tentando conceber o que é um ano-luz. Com um coração mais poético podemos escrever, como Neruda: La noche está estrellada e tiritam azules los astros a lo lejos... Sedentos de aventura podemos nos imaginar navegando rumo às profundezas desconhecidas do cosmos sideral ou, com uma visão mais prática, podemos imaginar procedimentos concretos para explorar e aproveitar os recursos minerais presentes no subsolo de outros planetas. Podemos, ainda, filosofar, chorar de emoção, entregar-nos extasiados à contemplação da beleza, tentar nomear as diferentes constelações, e tantas coisas mais!

0 mesmo ocorre quando tentamos falar sobre o Yoga: o coração, a mente, os músculos, os órgãos internos e cada aspecto de nossa personalidade tentam exprimir a sua vivência nesse antigo caminho. E cada definição é parcialmente verdadeira, e cada colocação expressa um aspecto diferente desse diamante de muitas facetas que é o Yoga, mas nenhuma delas exaure a totalidade de sua luz.

O praticante de Yoga, quando questionado sobre as aulas, tenta dar uma descrição abrangente, mas dificilmente consegue transmitir mais do que algumas características isoladas que muito distam da sua intensa experiência pessoal; restando-lhe apenas concluir sua confusa explanação com a clara certeza: É muito bom, pratique. Mas existem algumas colocações que podem nos ajudar a precisar conceitualmente a nossa vivência pessoal e subjetiva do Yoga. A conhecida definição etimológica diz que Yoga vem da raiz sânscrita Yuj traduzida corno União, Junção, Jugo ou Integração . Essa União é referida a diferentes coisas conforme o enfoque utilizado.

Em termos físicos, o Yoga busca a integração harmoniosa de todos os processos corporais, em outras palavras: saúde. Energeticamente falando, o Yoga se propõe lograr o desbloqueio dos canais de circulação da energia, a expulsão das energias destrutivas e o fortalecimento das construtivas, o aumento do nível de vitalidade normal, unindo o indivíduo a sua fonte interna de vida. Em termos psicológicos, Yoga busca superar a divisão e conflitos interiores, colocando as neuroses sob o jugo da paz e da verdade e construindo uma personalidade integrada onde cada aspecto contribua para o bem-estar global da pessoa. Desde um enfoque espiritual, o Yoga é o caminho da união com o nosso centro interno de sabedoria, de serenidade, de força e de amor.

Existe, ainda, uma outra maneira de interpretar o sentido da palavra Yoga: atrelar os cavalos a um carro. Voltemos no tempo para entender melhor esta definição. Por volta do ano 1500 a.C. grupos indo-arianos, nômades e pastoris, invadem o Norte da Índia destruindo a declinante civilização local, predominantemente agrícola. Esses conquistadores semi-bárbaros possuíam uma arma de guerra inédita e mortal na época com a qual renderam e exterminaram seus oponentes: carros de combate puxados por cavalos, dentro dos quais um guerreiro lutava com seus arcos e flechas. Os arreios que controlavam os cavalos, porém, eram muito rudimentares, o que tornava extremamente difícil guiar o carro, ainda mais durante o fragor dos combates. 0 carro era conduzido pelo auriga, habilidoso profissional de enorme prestígio na época. As ações de arrear e conduzir os cavalos eram descritas pela palavra Yug: Jungir , Atrelar , Unir (os cavalos) .

Chegamos, assim, a um significado muito interessante para a palavra Yoga. Ela denomina o intenso exercício que uma pessoa realiza para colocar sob o seu comando forças que, até esse momento, estavam fora de seu controle, visando conquistar as suas metas. 0 yogui é o auriga que, controlando as forças cegas do seu ser, conduz sua alma a vitória. Meditando na imagem desse auriga da Antigüidade, treinando suas habilidades repetidas vezes, desenvolvendo pouco a pouco suas capacidades, podemos compreender melhor o sentido de mergulhar semanalmente nas sensações do corpo, nas emoções e pensamentos inquietos da mente, podemos entender o processo gradual através do qual vamos obtendo maior capacidade de conduzir adequadamente o carro da nossa vida. Dentro desta abordagem, torna-se muito ilustrativo o seguinte verso do Rig-Veda: Os brâhmanes -sacerdotes-- arreiam a mente, de fato eles arreiam os pensamentos sagrados.

E na Katha Upanishad encontramos a seguinte alegoria: Sabei que o Eu é o cavaleiro, e que o corpo é a carruagem; que o intelecto é o cocheiro e que a mente são as rédeas. Os sentidos - dizem os sábios- são os cavalos; as estradas por onde passam são os labirintos do desejo. Os sábios consideram o Eu como aquele que se deleita quando está unido ao corpo, aos sentidos e a mente. Quando um homem não possui discernimento e sua mente está desgovernada, seus sentidos são incontroláveis, como os cavalos rebeldes de um cocheiro. Porém quando um homem possui discernimento e sua mente esta controlada, seus sentidos, como os cavalos bem domados de um cocheiro, obedecem alegremente às rédeas.

Refletindo sobre essas imagens observamos que existem regras básicas para obter um bom controle do carro. Mas cada auriga adapta esses princípios básicos às suas próprias características pessoais, ao tipo de arreios que possui, à natureza dos cavalos, ao tipo de relevo, etc. De modo semelhante, no decorrer dos séculos, o Yoga Eterno foi sendo apresentado com diferentes características, dependendo do mestre, da época, do lugar. Surgiram, assim, inúmeras variações: umas trabalhando mais com o corpo (Hatha Yoga), outras agindo principalmente sobre a mente (Raja Yoga), umas disciplinando os sentimentos (Bhakti Yoga), outras o intelecto (Jnana Yoga) e outras a conduta (Karma Yoga).

A pratica predominante de uma técnica ou de outra dava origem a uma nova linhagem, cada uma com seus procedimentos devidamente sistematizados, seus nobres mestres e destacados discípulos, todas coexistindo em paz; segundo reza o antigo ditado: Diversidade de caminhos e uma única Grande Meta Diante de tantas possibilidades sedutoras surge uma pergunta inevitável: E qual é o melhor caminho? Para responde-la e preciso situar-nos, contextualizar-nos; pois se bem existem princípios básicos e universais -veracidade, amor, honestidade, moderação, humildade, etc. - as técnicas e procedimentos que surgem a partir de tais princípios são mais específicos e focalizados. Considerando os objetivos de vida, a situação física, emocional, psicológica, familiar e social, levando em conta a idade, as características pessoais, a intensidade de esforço que estamos dispostos a investir, etc., o caminho mais adequado será aquele que melhor atenda às nossas necessidades.

Aproximar-se do Yoga e como se aproximar da noite infinita. Generosos e inesgotáveis, ambos dão o melhor de si. Todos recebem, cada um segundo sua capacidade. Quem traz uma xícara e quem traz uma jarra: ambos saem preenchidos.

Prof. Andrês M. De Nuccio

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Yoga - Perseverar para Conquistar

É sabido que a prática do Yoga age preventivamente, proporcionando saúde, vigor, equilíbrio e flexibilidade para o corpo. Torna a mente mais clara, intuitiva, serena e mais presente no aqui e agora, ganhando controle sobre as emoções e, ainda nos possibilitando aprender a relaxar, liberando tensões físicas, mentais e emocionais, nos levando, enfim, ao encontro com o nosso verdadeiro eu.

Tudo isso e muito mais a prática do Yoga nos proporciona, pois Yoga é comunhão, harmonia e liberdade; é auto-conhecimento, auto realização, é caminho para Deus.

Dentro deste universo maravilhoso, desta ciência sagrada e milenar, existe um método recente conhecido como Yogaterapia de Reposição Hormonal, com efeito terapêutico/preventivo sobre problemas hormonais. É um método totalmente natural que age em todo o sistema endócrino, revigorando e rejuvenescendo as células, aumentando a taxa hormonal e ou equilibrando distúrbios hormonais causadores de TPM, estresse, insônia e outros incômodos presentes na menopausa e nos casos de período ou fluxo menstrual alterado.

Lembramos que a prática do Yoga não invalida nem entra em conflito com outros métodos terapêuticos alternativos e muitos menos com a medicina tradicional alopática, pois cada caso é um caso e a pessoa em sã consciência e bem informada deve livremente optar por aquilo que funcione para ela. Mulheres que praticam regularmente a Yogaterapia de Reposição Hormonal têm os sintomas da menopausa e distúrbios hormonais amenizados, sentem-se revigoradas, rejuvenescidas, mais tranqüilas e otimistas.

Até aqui, tudo bem. Podemos afirmar com certeza, baseada em experiência própria e testemunho de muitos alunos e alunas, que Yoga e Yogaterapia Hormonal funcionam mesmo. Muito bem, funciona, mas quais os requisitos para sentir e desfrutar dos benefícios propostos pelo Yoga ? Por que alguns são agraciados e outros nem tanto? Perseverança, firmeza, constância na prática: é isso que faz a diferença, a grande diferença entre os (as) praticantes. Há os que praticam esporadicamente, outros semanalmente e outros diariamente; estes sempre reservam tempo para a prática, pois sabem que tempo é uma questão de preferência - sempre temos tempo para aquilo que realmente queremos. Lembramos aqui um velho e sempre oportuno ditado. "A semeadura é facultativa, porém a colheita é obrigatória". Se você é perseverante na prática e faz sua aula conscientemente, com paixão, entusiasmo e alegria, entregando-se de corpo, mente e alma, fazendo daquele um momento especial, certamente os resultados virão mais rápido e serão mais intensos e permanentes. Por outro lado, se sua prática for esporádica, os efeitos virão na mesma proporção, ou seja, serão menos intensos, e passageiros.

Para todos nossos queridos alunos e alunas, deixo aqui um amoroso convite: pratiquem, pratiquem e pratiquem, mergulhem fundo neste mundo maravilhoso do Yoga com perseverança e preparem-se para colher os frutos, os prêmios que recebem as pessoas corajosas e especiais, aquelas que se amam e conscientemente se cuidam, conquistando, assim uma qualidade de vida cada vez melhor.

Saúde, sucesso, paz e luz para você.
Namaste,
Luzia Alves Júlio

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Os Efeitos da Prática Paciente do Yoga

Comecei a praticar Yoga por indicação de um médico ortopedista, para a saúde da minha coluna, após 20 séries de fisioterapia. Porém, até chegar nesta etapa, passei por outros tratamentos. Fiquei um mês sem andar e com muita dor no corpo. Após ser examinada por vários médicos, foi indicada uma cirurgia. Porém, como não quis recorrer a isso, fui encaminhada para acupuntura.

Esse tratamento era feito três vezes por semana e também não deu resultado. Um dia, o médico acupunturista me disse que não estava vendo resultados positivos, talvez o meu caso fosse mais grave do que ele imaginava. Quando eu lhe questionei sobre o porque de sua afirmação, me respondeu que talvez eu tivesse um tumor!

Voltei para casa muito triste, não parava de chorar, pois me imaginava sem chances... Então fui até o médico ortopedista e lhe informei que não faria cirurgia. Ele indicou raios X e uma tomografia computadorizada, através dos quais foi constatada uma “herniação lateral D do disco intervertebral de L4-L5” Fiz as 20 séries de fisioterapia, conforme citei ao iniciar este relato e, após esse tratamento, o ortopedista me orientou a praticar natação ou Yoga. Por indicação de uma amiga que já praticava com a Isabel, iniciei esta prática em 09 de agosto de 1991.

Na sala, já existiam outras alunas com maior flexibilidade e que acompanhavam toda a aula. Eu participava e fazia as posturas dentro do meu limite, conforme orientação da professora. No início, freqüentava duas vezes por semana e, aos poucos, percebi melhoras em todo o meu ser.

A postura da pinça me trazia um agradável alongamento e Isabel fazia uma leve massagem na coluna e isso era muito bom. Aos poucos, o meu corpo ia se soltando mais e, a cada prática, aumentava o tempo de permanência. A dedicação e paciência da professora foram muito importantes e, com um ano de prática, já fazia a postura invertida (Viparita). Percebi que cresci pois, quando iniciei a prática de Yoga, media 1,60 m e cheguei a 1,62 m!

Yoga foi muito importante na minha vida!

Sueli Maria Gouveia Barrichello
(57 anos, é aluna da professora Isabel Bonora - professora formada no Curso Isvara de Formação de Professores de Yoga)

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Uma Aula de Yoga e Muitas Descobertas

Em uma aula de Yoga, o ser humano é exercitado como um todo. Ao entrar na sala de aula, as luzes já estão apagadas, um cheiro bom de incenso no ar e uma música instrumental preenchem o silêncio introspectivo. Esse primeiro contato do corpo com o colchonete traz uma conscientização daquele dia, todas as tensões e o estresse são percebidos. Por isso, a importância desse momento de preparação, ele instiga todos os nossos sentidos e aumenta a percepção de nosso estado físico, emocional e mental.

Com a entrada do professor, ainda continuamos deitados, agora sob sua orientação. Em alguns instantes de relaxamento, o desgaste acumulado começa a diminuir gradualmente.

Após alguns minutos, a respiração começa a ser treinada. O professor nos orienta que a respiração deve ser parecida com a do bebê: ao inspirar, inflamos o abdômen e ao expirar o encolhemos. No decorrer do dia mal percebemos como estamos respirando e, normalmente, respiramos de forma inquieta e irregular. A respiração nos vitaliza e nos traz para o momento presente.

Em seguida, começamos os asanas, as posturas corporais que trabalham o equilíbrio do corpo com a mente. Durante a permanência nas posturas, permanecemos concentrados e sempre atentos no nosso limite. Muitos alunos fazem os movimentos com os olhos fechados, estimulando o poder de visualização mental e a recepção auditiva, outros fazem através da observação do professor. Algumas posturas exigem um pouco mais de esforço físico e muita concentração, e nesse momento de controle físico e emocional, a respiração se torna principal aliada desse equilíbrio.

Com ela, conseguimos manter a mente livre de preocupações cotidianas e permanecer mais um pouco ou chegar mais longe na postura. Toda essa sincronia contribui para o aumento da tolerância e da força de vontade em nossas vidas, pois se não conseguimos hoje, amanhã tentamos novamente, sem cobranças, até conseguirmos executá-la.

Depois da permanência em uma postura, nosso corpo mostra seus efeitos e para que sejam percebidos, o professor nos dá uma pausa para relaxar. Pude assim perceber a importância de uma pausa após uma atividade mais intensa. Não apenas na aula de Yoga, mas principalmente no decorrer do dia, todos nós precisamos de uma pausa para reencontrar o relaxamento, recuperar a serenidade e avaliar os efeitos das situações vividas.

A ação suave e o respeito pelo nosso corpo aumentam nossa sagacidade e desenvolvem o autoconhecimento. Pode parecer irrelevante, mas só percebi que eu tinha um pé maior que o outro durante as aulas de Yoga, estava fazendo uma postura que precisava unir os pés e percebi a diferença, depois de 21 anos... Essa percepção é aguçada durante as aulas, cada postura se torna uma nova descoberta, um novo momento de encontro com o seu corpo e mente.

É de fundamental importância o respeito com o Ser Humano. Aprendi que para lidar harmoniosamente com as diferenças dos outros, é necessário, em primeiro lugar, aceitar nossos próprios defeitos. Certa vez, uma professora boliviana me disse: “Se perdoe, porque quando a gente se perdoa, fica mais fácil aceitar os outros”. Realmente, isso é verdade, vivemos em um tempo que existem muitas cobranças, turbulências e competição e tudo isso cria uma auto-exigência intolerante em nossas vidas.

Muitas vezes, essa exigência se torna imperceptível devido à falta de autoconhecimento. Isso, porém, não a impede de exercer um tremendo desgaste físico e emocional. O Yoga acaba se tornando um verdadeiro estimulante do perdão e da aceitação. Aprender a lidar com o limite do seu corpo significa respeitar-se enquanto indivíduo. E em todo o momento da prática, o professor orienta o aluno sobre esse respeito, que é mantido do começo ao fim da aula.

No final da aula, fazemos um profundo relaxamento. Dessa vez, sentimos a diferença do nosso corpo e mente antes e depois da prática. Nesse instante percebemos o equilíbrio de nosso físico, emocional e respiração. Com o corpo mais relaxado, a mente mais equilibrada, notamos os efeitos da aula. Um momento único, de harmonia, integração e união. Com apenas uma aula de Yoga, toda perturbação é deixada para trás e uma energia de paz invade nosso ser, dando mais vitalidade, consciência e coragem para enfrentar o dia-a-dia.

Camila Marins

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A Aula de Yoga, a visão ampla e a ação eficiente

Normalmente o Yoga é apresentado como um conjunto de exercícios corporais que trazem inúmeros benefícios ao ser humano. Isso é correto, porém uma das minhas principais preocupações como coordenador pedagógico da equipe de professores do Isvara e do Curso Isvara de Formação de Professores de Yoga, é conseguir que os instrutores tenham clareza de que o Yoga não se restringe a uma série inteligente de práticas psicofísicas, mas que ele se constitui, essencialmente, de uma visão de mundo ampla, profunda, abrangente que gera atitudes e comportamentos saudáveis e benéficos.

Tirar o Yoga da sala de aula e levá-lo para situações do cotidiano é uma das principais realizações do praticante avançado. Para conseguir fazer isso, é importante uma compreensão clara do que é Yoga.

Uma das definições tradicionais diz que Yoga é eficiência na ação. Uma outra maneira igualmente válida de traduzir o aforismo é: Yoga é sensatez na ação. Então, o que seria uma ação eficiente, uma ação sensata do ponto de vista do Yoga? Seria aquela ação que produz o máximo de benefícios e o mínimo de prejuízos, para quem faz a ação e para todos os que, direta ou indiretamente, serão atingidos pelos efeitos dessa ação. E uma vez que todo o universo está interligado numa relação de interdependência total, podemos dizer que, em última análise, uma ação yóguica é aquela em que se busca beneficiar todo o universo, produzindo o menor dano possível.

Agimos a cada momento. Em cada situação temos que fazer escolhas e, uma vez que as ações irão provocar efeitos em nosso corpo, em nossa mente, em nossos relacionamentos, em nosso mundo, é de fundamental importância que possamos agir com o máximo de eficiência e sensatez. Mas, como conseguir isso se a todo momento sofremos intensa pressão de nossos hábitos, de nossos desejos, de nossos instintos e condicionamentos? Como obter esse espaço de liberdade, de serenidade emocional e lucidez mental no qual possamos discernir a ação correta?

Na aula de Yoga, isso é obtido através da harmonização física, do relaxamento, da contemplação serena, da concentração, durante a prática das técnicas. Mas como levar isso para nosso cotidiano?

A aula funciona como um treinamento no qual, através da prática das técnicas, aprendemos a sair de um estado de conflito, tensão e ansiedade e atingimos um estado de harmonia, de lucidez em que os impulsos e os condicionamentos perdem força e a visão se torna mais clara e cristalina, podendo assim direcionar nossa conduta conforme nossas metas e objetivos. As práticas são extremamente eficientes para produzir esse resultado.

Mas, durante o cotidiano não é possível desempenhar nossos papéis mantendo as posturas de Yoga, realizar os nossos afazeres tendo um controle constante sobre o fluxo respiratório ou realizar movimentos corporais com a suavidade e consciência que caracterizam as aulas de Yoga. Então, como fazer? Como obter uma ampliação de consciência suficiente para neutralizar a influência negativa de hábitos mesquinhos, de impulsos cegos, de desejos imediatistas?

Uma excelente estratégia é, lembrando da definição de “ação com eficiência e sensatez”, comprometer-se a buscar em cada circunstância a ação que tende a provocar o máximo de benefícios e o mínimo dano para todos.

Para conseguir isso, precisamos de uma visão bem ampla. Precisamos prestar atenção naquilo que mais beneficia e menos prejudica o nosso corpo, nosso coração, nossa mente e nossa alma. É preciso que prestemos atenção a todos os nossos papéis, ao que traz o máximo de benefícios para nossa vida profissional, familiar, conjugal e social. E não apenas no presente, mas também pensando a curto, a médio e a longo prazo. Mais ainda, precisamos considerar de que forma as pessoas diretamente ligadas a nós serão afetadas pela nossa ação em seus corpos e mentes e até mesmo que efeitos poderão ocorrer no círculo maior da sociedade.

Não existe sensatez, eficiência, nem inteligência numa ação que traz danos para si mesmo ou para qualquer outra parte do universo. Ajudar os demais às custas da própria saúde, da própria paz, da própria prosperidade é tão tolo quanto cuidar da própria saúde, bem-estar e prosperidade às custas dos demais. Isso não é uma ação yóguica.

Parece algo demasiado poético e pouco prático? Não é, não. É extremamente prático. Por exemplo, de que adianta perder a saúde ganhando dinheiro, se mais tarde vamos ter que perder o dinheiro para recuperar a saúde? Isso não parece uma escolha prática nem sensata e isso certamente não e uma ação yóguica. A visão estreita nos leva a agir tolamente. Parece algo complicado analisar os efeitos da ação a todo momento? Não é, não. É algo muito simples, trata-se de agir com ética, com respeito, com boa vontade.

Em resumo, na aula de Yoga aprendemos a modificar os estados físicos e emocionais com a ajuda de diversas técnicas corporais, respiratórias e mentais. Essa habilidade é de enorme valia fora da sala de aula pois nos tira do papel de vítimas de nossos humores, impulsos e hábitos, desenvolvendo em nós capacidade de assumir o controle de nosso comportamento. Uma vez que não é possível praticarmos técnicas antes de cada ação, é fundamental manter a ampla visão, lúcida e serena, que brota durante as aulas de Yoga. Ela pode ser acessada pelo compromisso com as ações que gerem qualidade de vida, que produzam o máximo de benefícios e o mínimo de sofrimento para todos.

Esse compromisso tem a virtude de nos tirar do círculo estreito de nossos interesses imediatos, de aliviar a pressão de impulsos mesquinhos e de elevar a nossa visão além do horizonte ajudando-nos a manifestar toda a bondade, toda a beleza, toda a luz e todo o amor que há em nossos corações.

Andrês De Nuccio

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Yoga: a Ciência do Despertar de nossas capacidades latentes

O Yoga é uma das mais extraordinárias ciências já descobertas pela humanidade. É como uma pedra preciosa com muitas facetas cuja luz pode iluminar a totalidade de nossas vidas com grande significado. Com mais de cinco mil anos de antiguidade, é uma das tradições espirituais que tem mantido um desenvolvimento constante e ininterrupto através da História.

Abrangendo todos os aspectos do ser humano e do mundo natural, o Yoga pode despertar as nossas capacidades latentes e nossas habilidades de lidar tanto com a vida exterior quanto interior.

A metodologia cobre a totalidade dos nossos campos de experiência: o aspecto físico, o sensorial, o emocional, o mental, o espiritual e o transcendente. Inclui métodos e práticas para acelerar o desenvolvimento pessoal tais como posturas corporais, princípios éticos, práticas respiratórias, relaxamentos, praticas de concentração, visualização e afirmações, e inúmeras técnicas meditativas.

O Yoga compreende a natureza e a inter-relação do mundo físico, energético e mental, a vastidão infinita, além do tempo e do espaço, e nos mostra como eles se articulam com a nossa existência individual.

É a destilação da sabedoria de uma miríade de sábios que existiram no decorrer dos séculos, o conhecimento que nos permite adaptar à própria época, lugar e circunstâncias a nossa caminhada para saciar o natural anseio humano pela espiritualidade. É como uma imensa árvore que brota no corpo e mente dos seus praticantes nutrindo e fortalecendo seus potenciais que, como galhos, se desenvolvem gradualmente.

O Yoga se preocupa com o bem-estar físico, emocional e espiritual do ser humano. Ensina como superar nossas dificuldades desenvolvendo uma visão maior, em que cada circunstância é vista à luz da sabedoria.

Hoje, no alvorecer do século XXI, o Yoga conquista o mundo como antigamente o fez com toda a Índia. Enquanto seu tema central permanece sendo a compreensão das verdades que libertam o homem dos seus sofrimentos, suas práticas corporais e mentais oferecem benefícios tangíveis e diretos para qualquer pessoa, independentemente de suas convicções ou crenças.

A cura e a harmonização física e psicológica dos seus praticantes mais assíduos são algumas de suas maiores realizações. O que torna o Yoga tão poderoso e eficiente é o fato de trabalhar com a mesma intensidade cada aspecto da vida humana.

O Yoga tem se firmado como uma forma de terapia alternativa no tratamento de enfermidades como asma, pressão sangüínea, desordens digestivas e hormonais, além dos numerosos desequilíbrios provenientes do estresse, da ansiedade e da depressão.
Pesquisas sobre o efeito das praticas de Yoga em portadores de HIV estão em andamento com resultados muito promissores. Segundo alguns pesquisadores, boa parte do sucesso deve-se ao equilíbrio criado nos sistemas nervoso e endócrino que influencia diretamente os outros sistemas e órgãos do corpo humano.

Para a maioria dos praticantes, porém, o Yoga é simplesmente um meio de manter a saúde e o bem-estar numa sociedade em que viver se torna cada vez mais desgastante. Os asanas (posturas praticadas nas aulas) removem o desconforto acumulado durante o dia de trabalho. As técnicas de relaxamento ajudam a maximizar a eficiência em um tempo que parece se tornar cada vez menor. Numa era de telefones celulares, pagers, palms e compras 24 horas por dia, as práticas de Yoga fazem muito sentido tanto para a vida pessoal quanto para a vida profissional.

Além das necessidades individuais, os princípios subjacentes do Yoga oferecem uma ferramenta útil para combater diversos problemas sociais. Numa época em que o mundo parece ter esquecido dos valores fundamentais, o Yoga oferece meios para as pessoas encontrarem o seu centro interior de paz e liberdade. Através dessa conexão com um sentido mais profundo para a vida, é possível para as pessoas manifestar harmonia, tolerância e compaixão.

Assim, o Yoga é bem mais do que simples exercícios físicos. É um modo de viver, que busca a qualidade na vida interior e na vida exterior, sem dogmas nem radicalismos. Este modo de vida é uma experiência que não pode ser plenamente apreendida apenas pelas leituras, mas pelo conhecimento vivo obtido através da prática pessoal.

As posturas físicas são apenas o aspecto mais visível de vasto campo de conhecimentos do Yoga. Elas são parte importante na construção de um modo de vida saudável em que o relaxamento e a meditação poderão nutrir o coração do praticante com o néctar reservado àqueles que se atrevem a avançar um pouco mais na senda deste caminho que leva à realização mais completa do ser humano.

A partir de escritos de David Frawley e Swami Satyananda Saraswati

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Yóga e Yôga

Percebo um número crescente de pessoas aderindo à ortodoxia tangente à pronúncia da palavra yoga, na sua origem com o “o” fechado. Enquanto veteranos na prática de yoga são despreocupados em relação a isso, pessoas que levemente se esbarram na yoga assumem a postura inflexível: “Não é yóga! É yôga!”.

Minha fisioterapeuta, por ter sido admoestada com a frase acima quando disse a alguém a palavra yoga com o “o” aberto, perguntou-me a respeito, num tom que parecia desejar um abono pelo seu “pecado” prosódico.

A meus ouvidos é agradável o som da palavra em qualquer das duas pronúncias. Simpatizo com a duas formas. E antipatizo com a rigidez em ter de pronunciar somente com o “o” fechado, não aceitando a outra pronúncia.

Justifico isso dizendo que o que realmente importa não é a pronúncia do nome do remédio, mas sim tomar o remédio. Enquanto alguns se esmeram na pronúncia do nome do remédio, eu me esmero em o remédio tomar.

Seu eu tiver uma dor de cabeça e alguém me der algo para tomar e a dor desaparecer, eu não vou me preocupar se o que eu tomei foi um “rêmédio” ou um “rémédio”.

Se um cardíaco praticar uma postura invertida como a “bananeira”, terá sérias complicações de saúde, independentemente de ele dizer que praticou uma postura de “yóga” ou “yôga”.

Portanto, fecundo é praticar yoga. Não é falando yôga que vamos auferir dos seus efeitos.

Ronaldo José Corrêa

Professor de Yoga em Jaguariúna-SP

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Yoga: a Ciência da Saúde

Yoga é a ciência da saúde, diferentemente da medicina ocidental moderna, que é a ciência da doença e do tratamento. Os ensinamentos do Yoga estão baseados na intrincada e precisa compreensão do funcionamento saudável do corpo e da mente humana, e suas técnicas são designadas para maximizar seu próprio potencial de boa saúde, vitalidade e vigor duradouro.

Quando você pratica Yoga na sua vida diária, você é como o dono de um carro que cuida bem de seu veículo, que o mantém em excelentes condições, cheirando a novo mesmo com o passar dos anos. Sem disciplina, você é como o dono de um carro cujo veículo não dá partida de manhã, precisa de reparos maiores, e pode em última instância quebrar em um momento crítico, causando sérias conseqüências.

O estado natural do corpo é a saúde – toda pequena parte e função tem um objetivo biológico para conservar a saúde a qualquer momento. Consertar ossos, diminuir febre, remover toxinas, reparar a fadiga – nós temos sob nosso próprio comando o milagre da bioengenharia que deveria nos levar a uma vida longa, saudável e pacífica.

As funções principais dos sistemas que nos mantêm vivos são: a força do corpo, a flexibilidade da estrutura muscular, ossos e ligamentos; os ciclos de digestão dos nutrientes, respiração e circulação, que nutre e serve toda célula e tecido; e o vital sistema de mensagens dos nervos e hormônios que balanceiam e regulam nossas respostas físicas, mentais e emocionais. O Yoga, única dentre todas as formas de cultura corporal, trabalha sistematicamente em todas essas partes de nosso corpo para mantê-lo funcionando em condições de equilíbrio e perfeição.

Na vida contemporânea a experiência de completa e vital saúde é rara depois do período da infância. Prejudicando nossos corpos, nós abusamos deles sem pensar. Desperdiçamos várias horas privando-o do ar puro e da luz solar, sentando-nos desconfortavelmente, comendo apressadamente, sem achar tempo para permitir-lhes livres movimentos, relaxamento profundo, ar limpo ou comidas naturais. Se nossos corpos se queixam, nós tomamos pílulas, silenciando os sinais que deveriam servir de alerta para nós sobre o problema, e posteriormente danificando os sistemas naturais de reparação de nossos corpos. Colocando esses sistemas naturais de volta ao trabalho de forma balanceada, o Yoga pode fazer muito para restaurar a boa energia mesmo depois de anos de vida insalubre que resultam em indisposições como estresse, hipertensão, fadiga, reumatismos, e muitas outras.

Muitas das doenças e perda da vitalidade que nós sofremos são decorrentes do enfraquecimento dos sistemas de nossos corpos, devido ao pouco uso e baixa estimulação das funções vitais. Exercícios são indicados por todas as disciplinas de saúde, mas os exercícios de Yoga são únicos. Os principais yogues entenderam ao longo dos milhares de anos que o exercício apropriado não é aquele que visa desenvolver os músculos e exaurir nossas forças, mas aquele que sutilmente estende e tonifica nosso corpo e acima de tudo estimula a circulação, levando-a ao nível celular, nutrindo os tecidos, removendo impurezas e fazendo com que os órgãos vitais retornem à sua completa eficiência, restaurando também um metabolismo saudável.

O corpo físico é apenas um dos aspectos da saúde na filosofia yogue – mente e espírito são igualmente importantes. A medicina ocidental, também, começou a entender que a mente pode ajudar o corpo a se recuperar, mas a aproximação ocidental é parcial, enquanto que o Yoga integra a ciência da mente, corpo e espírito.

Por Giris Rabonivitch

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Yoga: uma mãe maravilhosa

Na tradição do Yoga, diz-se que temos três gurus. O primeiro é a mãe, o segundo é o pai, e o terceiro o professor que nos transmite o conhecimento espiritual. Dentre eles, a mãe ocupa um papel de destaque, pois nos outorga a base física e emocional que será o alicerce de nossas experiências na vida. Ela nos dá tudo de si, sem nada pedir em troca.

Assim também é o Yoga. Como mãe gentil o Yoga acolhe o chamado das crianças humanas e as nutre e fortalece até tornarem-se seres brilhantes de autodomínio, paz e liberdade.

Uma mãe se abaixa até a altura do seu filhinho para conversar com ele, sem assustá-lo. De forma semelhante, o Yoga régio chega até cada pessoa com humildade, carinho e respeito perguntando: Como posso colaborar com você? Mesmo tendo como objetivo os cumes da compreensão humana, o Yoga atende cada pessoa em suas lutas cotidianas, ajudando a neutralizar o estresse, a desenvolver a paciência, o autocontrole e a capacidade de agir com firmeza e suavidade. E quando o tempo dos questionamentos existenciais chegar, ela estará pronta para dar ao praticante os seus mais valiosos tesouros.

Como mãe solícita às necessidades diversas do seu filho, o Yoga cuida do corpo do praticante, tornando-o mais resistente, flexível, relaxado e saudável; cuida da sua vida afetiva, ensinando-o a amar, perdoar, colocar limites, respeitar os outros e a si mesmo; cuida da mente desenvolvendo nele as capacidades cognitivas, removendo noções errôneas a respeito de si mesmo e da vida; cuida da sua vida social, ensinando-lhe o valor da vida ética; cuida da vida espiritual, comunicando a ele as reflexões dos sábios da humanidade e a metodologia para conseguir ver e sentir o que eles viram e sentiram.

Para uma mãe não existe filho mau, apenas comportamentos errôneos, assim também para o Yoga, cada pessoa é sagrada e divina.

Como o abraço amoroso da nossa mãe nos nutre, nos dá forcas e aquece o nosso coração, assim o abraço do Yoga faz desabrochar em nós as potencialidades incríveis aninhadas em nosso interior.

Como todo filho bem amado tem um profundo sentimento de gratidão por aquela que tanto deu a ele, assim o praticante de Yoga tem em seu coração um profundo agradecimento por aquela que lhe deu um segundo nascimento e o nutriu de paz, de força, de lucidez.

Por Andrês De Nuccio

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O Yoga mudará minha vida?

Você não terá que alterar nem um pouco sua vida para praticar Yoga; contudo, ocorrerão mudanças. A primeira e mais evidente é que você parecerá e se sentirá melhor.

E, também, quanto mais se exercitar, mais verificará que estão acontecendo pequeninas mudanças. Por exemplo, terá a tendência de moderar a pressa e relaxar mais enquanto estiver comendo, e muitas pessoas já me disseram que, de repente, compreenderam que se satisfaziam com muito menos comida do que anteriormente.

Ocorre também um aumento da sensibilidade e percepção, e você observará que seu paladar fica mais aguçado, passando a sentir aversão por alguns alimentos, preferindo outros. Isto não é uma coisa que você se obriga a fazer, mas simplesmente parece acontecer após um espaço de tempo.

Você talvez julgue que seu enfoque da vida esteja mudando, pois a tensão, a preocupação e a ansiedade desaparecem gradualmente. Estes elementos negativos e dispersivos da energia serão substituídos por uma atitude para com a vida muito mais positiva.

É lamentável, porém compreensível, que existam atualmente tantas pessoas num estado constante de grande tensão, pensando e se preocupando com o amanhã. Mas, o que dizer do hoje? Hoje é a Vida! Deve-se desfrutá-la antes que desapareça para sempre.

Isto não quer dizer que se deva abdicar das responsabilidades. Significa simplesmente que, com o afastamento da tensão, da preocupação e da ansiedade, você estará muito mais bem preparado para resolver os problemas normais do dia-a-dia calma e eficientemente, e sentir a alegria pura da vida AQUI e AGORA, a cada minuto e a cada dia.

Professora Lyn Marshall

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Os Benefícios do Yoga

Quando se fala dos problemas humanos, o que geralmente não é conscientizado é que a aflição que sofremos é universal.

O Yoga, mesmo quando ajuda a remover os sintomas superficiais do sofrimento humano, não deixa de lado a causa fundamental dessa situação. Ela vai à verdadeira raiz da perturbação e procura remover a causa última das aflições e, fazê-lo de maneira completa e permanente.

O Yoga não trata apenas de um problema específico. Ele não procura tratar só de uma determinada espécie de aflição humana tendo, desse modo, uma aplicação limitada.

O Yoga não é uma técnica determinada e particular, aplicável às pessoas de um determinado estágio de desenvolvimento mental ou moral. Pode conduzir qualquer homem, em qualquer estágio, em qualquer momento, colocando-o no caminho que leva à meta ultima. Ela o conduz, passo a passo, por este caminho, de maneira progressiva e sistemática, utilizando as diferentes técnicas que estão disponíveis, de acordo com as suas necessidades. Assim fica o homem capacitado a romper as suas limitações, uma após a outra, até ter atingido a meta máxima a Libertação e a Iluminação.

Este caráter universal e todo abarcante do Yoga precisa ser compreendido. Aqueles que desenvolveram esta técnica, após penetrarem nos profundos problemas e realidades da vida e da consciência humanas, não ignoravam as limitações do homem comum e as diferenças dos seus temperamentos.

Eles perceberam claramente a necessidade de proverem uma técnica abrangente, que pudesse ser adaptada para qualquer temperamento. Criaram variantes desta técnica para satisfazer os diferentes temperamentos nos estágios iniciais, onde os temperamentos individuais precisam ser considerados para assegurar o progresso. Eles pensaram em práticas preliminares e num desenvolvimento progressivo de autodisciplina, para preparar adequadamente aqueles que ainda não eram capazes de empreender uma prática de Yoga mais intensiva. Somente com essas adaptações foi possível fazer com que os benefícios do Yoga pudessem estar ao alcance de qualquer um que desejasse seguir este caminho.

Por I.K.Taimni

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O Caminho do Yoga

Yoga é um modo de vida, um estado mental, uma forma de ver o mundo de maneira real, isto é, estando presente a cada momento vivenciando-o como um todo, compreendendo que somente este momento existe, e que tudo o mais é fruto do passado ou ainda está no porvir do futuro. Yoga é estar estabelecido na paz e confiante na ordem cósmica, percebendo esta ordem em meio ao caos e desequilíbrio aparente existente no mundo. É aquietar a mente, dominando nossos atos e palavras, não através da violência e da força, do medo e da auto-repressão, mas através da compreensão e com uma atitude amorosa para consigo mesmo e para com o próximo.

Yoga é ser verdadeiro e sincero, respeitando os limites de nosso corpo e nossa mente, é estar relaxado e ativo, é ser forte e pacífico, é estar centrado na paz e alegria de simplesmente ser.

O Yoga utiliza-se de técnicas várias, incluindo posturas corporais (asanas) exercícios respiratórios (pranayamas), meditações (dhyana), relaxamento (yoganidra), disciplinas diversas (tapas), entre outras.

Esta atitude de força e poder com amorosidade se faz notar nos asanas nos quais, com muito cuidado nos colocamos, aprendendo a controlar a energia através de sua forma mais densa, o corpo.

Os exercícios são lentos e precisos permitindo uma conscientização corporal muito grande. Conhecemos muito pouco sobre nosso corpo e sobre nós mesmos e o Hatha Yoga permite esta vivência de uma forma tranqüila já que não visa competições nem exibições, sendo um interiorizar-se para compreender e sentir a presença da paz em nós.

Os asanas proporcionam uma experiência de integridade e harmonia, podendo ser anti-depressivos, calmantes, desenvolvendo o senso de autoconfiança, produzindo sensações de força e poder, além de trabalhar a musculatura, o sistema cardio-respiratório, glândulas, órgãos, e centros nervosos. Atua diretamente sobre a energia vital do indivíduo (prana) abrindo os canais por onde flui a energia, corrigindo falhas e desequilíbrios.

O Yoga vai muito além disso, ativando e acalmando o nosso cérebro e mudando gradativamente nossa visão de mundo, através da disciplina amorosa e do autorespeito. Yoga reúne técnica e arte, firmeza e suavidade, integra cada aspecto do ser humano fazendo dele um todo capaz de vivenciar a paz e o amor.

Professor Alexandre G. Correa

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Escuta seu Coração

Frases similares a este título nos convidam ao recolhimento, à introspecção e ao silêncio, à busca do transcendental.

Mas, como? Como escutar o coração, se vivemos em um mundo tão barulhento, tão agitado, onde tudo tem que funcionar a mil por hora, e a poluição sonora é tão agressiva, atingindo níveis perigosos para a saúde mental e auditiva.

Logo de manhã, enquanto cuidam da higiene, as pessoas ligam o rádio, para saber as primeiras notícias do dia. No desjejum, rádio ligado. No trajeto para o trabalho, continuam ouvindo as notícias, sobre esporte, política e os acontecimentos policiais, como roubo, seqüestro e toda espécie de violência. No trânsito, todo mundo tem pressa; e, então, a buzina soa veementemente. Na hora do almoço, seja em casa ou no restaurante, a TV está ligada. Em reunião de negócios, ou lazer, aí então! Todos falam ao mesmo tempo, muito alto, e o tempo todo. E à noite... Bem, à noite tem mais rádio, TV, e por aí vai.

Todo esse barulho e mais a nossa mente tagarela, que não para de fabricar pensamentos, nos deixam o tempo todo ligados ao mundo externo. Como, então, escutar o próprio coração, ouvir a voz interior, que brilha incessantemente, no mais recôndito do nosso ser? Existem, para isso, muitos caminhos, entre os quais a prática do Yoga a milenar ciência sagrada originária da Índia e, hoje, patrimônio da humanidade. Com a prática do Yoga, junto a outros benefícios, vamos desenvolvendo a capacidade de discernimento, a auto-observação, o auto-conhecimento e a capacidade de estar presente no aqui-e-agora: passamos a apreciar a quietude, o silêncio, a interiorização; e vamos conquistando gradativamente equilíbrio e controle sobre as emoções. Aprendemos a relaxar o corpo, e quando o corpo relaxa, a mente por sua vez se aquieta, e é através desse silêncio exterior e interior que nos sintonizamos com a essência divina, o Self, Atman, o Deus Interno, e escutar o nosso coração.

Percebemos, então, que uma grande sensação de bem estar, alegria, liberdade e paz profunda inunda todo nosso ser. É a paz que vem de Deus, a paz que o mundo não dá, mas que também não pode tirar, pois é a paz que vem do silêncio e da compreensão de que Deus e Eu somos Um. Tudo o mais é transitório, passageiro, somente isso é real, imutável, eterno. Portanto, pratique Yoga. Aquiete-se e escute teu coração, não para fugir do mundo, mas para estar no mundo com uma postura de vida mais confiante, serena, amorosa e otimista. Namastê!

Luzia Alves Júlio

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Começar o dia com Yoga

A cada manhã uma nova vida nos é dada. Como uma infância harmoniosa garante a formação de uma personalidade efi-ciente para lidar com os desafios da vida, assim também iniciar cada dia centrando-se no equilíbrio emocional, no vigor físico e na clareza mental cria chances enormes desse dia ser um dos mais eficientes e significativos da semana.

E como conseguir isso? Claro, com uma boa prática de Yoga!

Existe forma melhor de se espreguiçar do que através de uma postura de alongamento suave e consciente? Existe forma melhor de acordar seu corpo e carregá-lo de energia do que através de respirações profundas e movimentos de intensidade controlada?

Mas isso não é tudo. Além de vitalidade e excelente disposição física é preciso contatar a paz mais profunda de modo que todo seu ser fique impregnado e carregado de uma visão amorosa e de uma atitude aberta e gentil, capaz de gerar boa disposição também nas pessoas com quem você vai interagir ao longo do dia.

E para recarregar as baterias de paz, para neutralizar tensões emocionais, você conhece caminho mais simples e mais direto do que uma boa prática de Yoga?

Afetando, gradual e profundamente, tanto o corpo como a mente, com firmeza e delicadeza, com inteligência e respeito, a prática matinal de Yoga dá a lucidez e equanimidade necessárias para fazer avaliações corretas durante os eventos do dia, dá o autocontrole necessário para agir conforme o nosso bem maior, evitando ações impulsivas e reações impensadas.

Como os músicos, que afinam seus instrumentos antes de executar um concerto, assim também o praticante de Yoga coloca seus instrumentos psicofísicos no ponto de máxima eficiência na aula de Yoga, de modo a viver o seu dia com o máximo de intensidade e excelência.

Mais ainda; é preciso fazer com que cada aspecto de si esteja integrado sinergicamente em um todo harmonioso, que o conflito seja substituído pela compreensão e a atitude compreensiva. Yoga significa precisamente integração, e é uma prática ímpar para o ser humano porque, como diz a canção: ...a gente quer inteiro e não pela metade...

Andrês De Nuccio

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Yoga na era da Informática

Yoga: O que você imagina que seja isso? Uma pessoa sentada, com as pernas cruzadas, com os olhos fechados, repetindo “OM”?

- Isso é muito parado, não tenho paciência!

Porém, com certeza você é uma pessoa atualizada, que trabalha com uma famosa máquina à sua frente por quase doze horas por dia e, muitas vezes, precisa ficar de “olhos bem abertos”, parada aguardando essa máquina fazer um download para você poder continuar seu trabalho. Isso quando está tudo bem e quando não acontece de você ter de esperar muito mais tempo para que essa moderna máquina conecte com determinado site.

- Haja paciência!

Em uma prática de Yoga você realmente poderá ficar com as pernas cruzadas e até ter um momento para vocalizar o som “OM”.

Mas existem muitos outros exercícios também! Você vai aprender a respirar corretamente, a movimentar seu pescoço, vai relaxar os ombros, braços e pernas, para que, quando tiver de aguardar seu computador conectar-se ou carregar uma página, você possa recorrer a esses movimentos e alongamentos. Com eles você conseguirá que seu corpo fique tranqüilo e que sua cabeça sintonize primeiro com seu corpo para depois se harmonizar com o computador.
Navegue no site do seu “corpo.com” enquanto é tempo. O programa para acessá-lo é de fácil aquisição e, depois de iniciado usando a senha “Respiração”, a manutenção será feita através de suaves movimentos. E, quando você checar o resultado: Ah! Você vai querer se conectar sempre! Aguardamos sua primeira conexão!

Isabel Bonora
isabel.bonora@ig.com.br
Formada no Curso Isvara de Professores de Yoga

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Não tenho tempo, mas quero qualidade de vida!

Uma internauta nos enviou um e-mail pleno de abertura e sinceridade onde ela levanta questões que dizem respeito à vida de todos nós. Por isso publicamos abaixo a resposta dada a ela pelo professor Andrês

O pedido

Bom dia!
Achei o site maravilhoso e, lendo alguns textos, constatei que tenho uma péssima qualidade de vida, vivo cansada e estressada, estou me sentindo desestimulada, apesar de ter grande paixão pela vida. Gosto de ter hábitos saudáveis, como ter contato com a natureza, mas a vida corrida do dia-a-dia não me permite pôr em prática alguns projetos, pois sou casada, tenho dois filhos, trabalho o dia todo, faço faculdade à noite e meu marido também trabalha e estuda. Minha vida está uma verdadeira loucura, às vezes parece que vou enlouquecer, e ainda tem as dificuldades financeiras...Ou seja, a fórmula perfeita para viver em estado constante de estresse.

Por favor, me dêem algum conselho para eu melhorar minha qualidade de vida, que exija pouco tempo e pouco dinheiro. Já fiz Yoga, adorei, me identifiquei muito, me sentia até mais próxima de Deus, tamanho era o meu relaxamento, mas atualmente é inviável, não tenho tempo. O que eu poderia fazer para conseguir um pouco de paz, serenidade e leveza?

Desde já agradeço a atenção.

Alice (nome fictício)

 

A resposta

Prezada Alice:

Agradeço o seu contato tão sincero e verdadeiro.

Imagino que você deve ser jovem e, precisamente por isso, está fazendo o que uma pessoa jovem, com dois filhos, com um marido e com o saudável desejo de construir um futuro digno deve fazer: batalhar para criar condições adequadas para o desenvolvimento físico, emocional, mental e espiritual de todos vocês.

Então, o primeiro e mais importante passo para viver com mais qualidade é apreciar o fato de que tudo que você tem lhe foi dado: a sua capacidade de pensar, a sua capacidade de sentir, de desejar, de agir. O seu corpo não foi criação sua, lhe foi dado; as condições familiares, sociais e econômicas, lhe foram dadas. Percebe? Consegue apreciar, por trás da aparente loucura cotidiana, uma Presença maior? Nessa apreciação você encontrará a qualidade de vida que procura.

Amplie essa percepção até conseguir fazer a sua ação como um presente à Inteligência que governa o mundo, como uma oferenda. Qual a diferença entre movimentar o corpo numa aula de Yoga e movimentar o corpo atendendo a um filho ou desempenhando as tarefas no trabalho? Não há diferença real entre um movimento do corpo feito dentro ou fora de uma aula de Yoga. A diferença está na atitude. E a atitude não depende de um lugar nem de um momento nem de uma postura corporal específica. Você pode apreciar essa Presença maior com qualquer roupa, em qualquer ambiente, no templo secreto do seu coração. Isso é entre você e a Inteligência que criou e mantêm seu corpo, sua mente e cada aspecto da sua vida.

Sem essa consciência, você não terá qualidade de vida, mesmo que more numa fazenda e não precise trabalhar, criar filhos nem estudar. Com essa consciência você terá a paz emocional e a vida intensa e plena de significados que você deseja, mesmo desempenhando seus diferentes papéis.

Como você tem muito para fazer e pouco tempo para perder, fique com o principal, com o fundamental: a consciência desta Presença.

Ao acordar, antes mesmo de sair da cama, dedique 1 minuto a saudar esta Presença. Não negligencie este compromisso. O primeiro minuto do dia pertence a esta relação fundamental.

No decorrer do dia pare em duas ocasiões por 1 minuto (ou aproveite o tempo das viagens se não é você quem está dirigindo) e observe a sua respiração, sem interferir, mantendo o ritmo espontâneo e natural. Enquanto observa contemple o fato de que você não respira porque você quer, porque você assim o escolhe. Aprecie que outra Vontade decide que a respiração aconteça. Aprecie esta outra Vontade, bem maior do que a sua, pulsando e definindo as coisas bem no centro do seu peito.

E à noite, antes de adormecer, no secreto do seu coração faça uma reverência, mande um beijo, abrace esta Presença maior que lhe dá a vida, o corpo, o mundo, os desejos, as circunstâncias, o cansaço, o descanso, o dia, a noite, o tempo, o espaço e tudo -absolutamente tudo- que você ``tem´´ (Será que existe algo seu? Olhe bem, tudo pertence a essa presença -até mesmo você!)
Leia essa carta muitas vezes durante os próximos dias e não abra mão de seus quatro minutos diários conscientizando a Realidade. Trate-os como o seu principal compromisso do dia. Garanto a você que tudo ficará mais fácil e bonito e alegre e colorido e brilhante e intenso e suave e revigorante e interessante...

Possam estas palavras criar raízes em sua mente e frutificar em seu comportamento.

Desde o amor dessa Presença,

Prof. Andrês

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